Eu não diria melhor

 

Assisti a uma das excelentes entrevistas de Manuel Luís Goucha na TVI24, desta vez ao psiquiatra Daniel Sampaio que considera a permissividade dos pais um risco e acredita que é fundamental saber dizer “não”. No seu último livro Lavrar o Mar defende que «uma palmada ou um castigo» fazem parte da disciplina. Não posso estar mais de acordo com todas as suas ideias e creio que basta olhar em volta para verificarmos que estamos rodeados de estes “jovens tiranos”, a quem quer na escola quer em casa tudo é permitido e tudo é devido.

A grave crise económica que estamos a atravessar e o futuro imediato que trará ainda mais sacrifícios leva-nos a perguntar de que forma vão estes pais transmitir aos filhos a impossibilidade de lhes dar tudo o que pedem, ou melhor exigem. Não vale a pena atirar as culpas a ninguém. A grande questão de hoje continua a ser a de sempre.Saint Exuspery disse : “Somos da nossa infância como quem é de um país”.

Ora nesse “país” que é a nossa infância, não há limites, nem regras, nem certo e errado e principalmente causa e consequência.Se juntarmos a isto o caminho que se segue, em que não existem faltas nas escolas secundárias, e ninguém pode chumbar, podemos ter uma ideia da futura geração que no espera.Esta crise mundial, em que o consumismo está definitivamente posto em causa, poderia servir para um novo futuro. Para novas regras de vida, novas formas de apreender a apreciar as coisas simples.Já verificaram que os jardins de Lisboa estão vazios mas os centros comerciais transformaram-se nos novos passeios em família? Há uma imensidão de alternativas à nossa frente. É só preciso ter coragem para começar por dizer Não aos nossos filhos e à nossa própria preguiça. Porque é muito mais difícil educar desta forma, mas muito mais gratificante.

 

no Jornal destaK de 27.09.2011

publicado por belinha_caranguejo às 13:42 | link do post